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O risco da doença de Alzheimer familiar em Mulheres

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Diante à comum perda de memória que apresentam pessoas com doença de Alzheimer (DA) existe uma série de alterações (internas e externas), que determinam não só seu aparecimento senão a progressão e o curso da doença. É comum assumir que o gênero feminino seja o de maior risco para desenvolver DA, uma vez que tendem a viver mais do que os homens. No entanto, um recente estudo tenta mostrar que está explicação é provavelmente uma simplificação excessiva do que realmente acontece.
Alzheimer é uma doença idade-dependente, com maior chance de acontecer conforme vai aumentando a idade do idoso, neste caso nos referimos ao tipo de “DA esporádica” com maior incidência entre os idosos.
Contudo, algum estudos sugerem que aproximadamente 40% dos pacientes que possuem no seu histórico um antecedente familiar, apresentam um início precoce da doença, antes dos 60 ou 65 anos, neste caso nos referimos à “ DA familiar”, que tem um componente hereditário, indicando que a genética está fortemente relacionada à doença. Apesar disso, não é descartada a influência de outros fatores, no desenvolvimento da doença.
A definição da contribuição genética na DA é difícil de ser determinada com clareza em razão das dificuldades técnicas para realizar esse tipo de pesquisas, entretanto, recentes estudos estão elucidando alguns fatores relevantes para sua prevenção.
É o caso do recente estudo publicado na revista JAMA (agosto 2017), que pretende elucidar se o gênero das pessoas com carga genética, tem relevância para o desenvolvimento da DA ou Comprometimento Cognitivo Leve (fase preliminar à DA)
A publicação analisou 27 estudos de pesquisas independentes do Global Alzheimer’s Association Interactive Network, onde constaram os dados de aproximadamente 58,000 participantes (mulheres e homens), todos portadores de uma cópia de apolipoproteína E (APOE ε4) gene que parece conferir o risco hereditário para a manifestação da doença.
A técnica estatística que combinou os resultados provenientes dos diferentes estudos, mostrou que o sexo feminino estava com maior risco de desenvolver DA entre as idades 65 e 75 anos. O estudo sugere que mulheres com uma predisposição genética para desenvolver a DA, apresentam uma janela de 10 anos, em comparação aos homens com riscos genéticos similares. Segundo os pesquisadores, a janela parece ocorrer aproximadamente 10 anos após o início da menopausa, quando os níveis de estrogênio estão em queda, o que poderia explicar os resultados.
Os achados precisam ser analisados em outras populações, uma vez que os estudos (da metanálise) pertencem a um banco de dados de população americana e europeia.
Entretanto, os pesquisadores sugerem que os trabalhos de prevenção estejam direcionados a estudar os sintomas das mulheres com predisposição genética, 10, 15 ou mesmo 20 anos antes ao período mais vulnerável (65 a 75 anos), isto contribuirá para a detecção dos indícios da DA, além de permitir identificar diversas propostas de intervenções precoces para o retardo do aparecimento da doença.

Dra. Jacqueline Abrisqueta-Gomez
Fonte: Neu SC, Pa J, Kukull W, et al., Apolipoprotein E Genotype and Sex Risk Factors for Alzheimer Disease. A Meta-analysis. JAMA Neurol. Published online August 28, 2017. doi:10.1001/jamaneurol.2017.2188