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Esperança na Prevenção da Demência no Idoso!

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Um estudo publicado na revista JAMA, mostrou que a prevalência da demência entre os idosos americanos tem diminuído significativamente (de 11,6% a 8,8%) entre 2000 e 2012 (Langa e colaboradores 2017). Isto significa que menos adultos com mais de 65 anos apresentam sintomas de demência em Estados Unidos. Ao parecer existem 2 principais fatores que contribuíram para isto, um deles reside no aumento da escolaridade ou aprendizado de novas habilidades entre a população idosa, o que propicia maior reserva cognitiva (fator protetor do cérebro) o segundo é o controle dos fatores de risco cardiovasculares, já que o número de pessoas que procuraram tratamento para hipertensão, colesterol alto e diabetes, também acelerou durante esses anos.
Contudo, é possível que o conjunto completo de fatores, sociais, comportamentais, nutricionais, e outros, também tenham contribuído para o controle da prevalência da demência entre os idosos. Portanto, entender o peso de cada fator protetor é relevante pois facilitaria a prevenção das demências no idoso.
Infelizmente no Brasil esta realidade é inversa, um artigo publicado por Burla e colaboradores (2013), manifesta que a demência cresce acentuadamente com a idade em especial entre as mulheres e os analfabetos os quais apresentam uma prevalência mais elevada. Dessa forma, a prevalência brasileira média apresenta-se mais alta que a mundial. Segundo os pesquisadores as projeções para a população brasileira apontam para um crescimento na taxa de prevalência de demência (na população com 65 anos e mais) de 7,6% para 7,9% entre 2010 e 2020, ou seja, 55.000 novos casos por ano.
Devido a que poucas pessoas percebem como seus hábitos afetam sua saúde é necessário que todos contribuíamos compartilhando estas informações e criando mais consciência sobre as possibilidades do controle da demência, incentivando entre a população idosa a pratica de atividades onde façam uso não só das habilidades físicas senão também mentais, além de auxilia-los na detecção e tratamento de qualquer problema de saúde.
Procure informação e esclareça sempre que possível suas dúvidas em relação a sua saúde !

Dra. Jacqueline Abrisqueta-Gomez

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É possível reverter problemas iniciais de memória ou outros déficits Cognitivos?

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A resposta para esta questão parece ser ‘isso depende’. Geralmente, quando a pessoa envelhece, podem surgir mudanças na memória ou outras habilidades cognitivas.
Quando o rebaixamento cognitivo é comprovado a pessoa pode ser diagnosticada com Comprometimento cognitivo leve (CCL). Em realidade está não é uma doença em si, pelo contrário, é uma descrição clínica. Mas dependendo de sua causa, o CCL é potencialmente reversível. Por exemplo, quando é devido ao uso de certos medicamentos, alterações de sono, depressão, menopausa, estresse ou outros problemas de saúde. Nesses casos, quando a doença ou situação subjacente é tratada as habilidades cognitivas podem melhorar ou ficar estáveis. Caso o CCL agrave e comprometa atividades da vida diária, podemos estar falando de um estágio inicial de Alzheimer ou outro tipo de demência.
As razões pelas quais alguns idosos tem mais chances de reverter o diagnóstico e voltar a ter um desempenho cognitivo normal estão sendo recentemente estudadas. É o caso de uma pesquisa conduzida pela Universidade de Medicina em Austrália, que analisou os fatores preditivos de reversão do CCL durante 2 anos em um grupo de 223 idosos. Do grupo de idosos só 66 idosos conseguiram reverter o quadro. Dentre os fatores preditivos de reversão, foram referidos o estilo de vida dos idosos, com atividades mentais complexas e abertura a novas experiências. Além disso, foram notadas habilidades sensoriais aguçadas (visual e olfatória) e um maior volume nas estruturas do hipocampo e amígdala esquerda, entre outros fatores.
Entretanto, para quem se preocupa com a sua memória ou a de um ente querido, fazer um Check-up do funcionamento cognitivo, além de ser uma atitude preventiva, é uma ótima oportunidade para conhecer as forças e fraquezas de nosso desempenho cognitivo, além de ser relevante para reconhecer que tipo de atividades são mais apropriadas e/ou desafiadoras, para potencializar nossa atividade cerebral.
Dra. Jacqueline Abrisqueta-Gomez
Diretora do Check-up do Cérebro

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Game pode melhorar alguns sintomas de comprometimento cognitivo leve

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Pesquisadores da Universidade de Cambridge desenvolveram um aplicativo de treinamento cerebral chamado “Game Show”, com o objetivo de melhorar a cognição e motivação de pessoas que apresentam rebaixamento de memória (no cotidiano) e que foram diagnosticadas com Comprometimento Cognitivo Leve (CCL).
O estudo liderado pelo Dr. Savulich e colaboradores, envolveu 42 pessoas com CCL, com idade igual ou superior a 45 anos. Todos os participantes passaram por uma série de testes cognitivos além de avaliações de humor e foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Num dos grupos as pessoas receberam sessões (de 1 hora) de treino cognitivo, por médio de um game interativo (em Ipad), em total ficaram jogando 8 horas num período de 4 semanas. No outro grupo os participantes apenas foram a visitar a clínica, durante o mesmo período de tempo.

O aplicativo de treino cognitivo incentivava ao jogador a participar de um game chamado “show de jogo” onde eles deveriam associar corretamente vários padrões geométricos em diferentes locais do Ipad. Como parte da abordagem, cada vez que o jogador identificava e associava corretamente os padrões geométricos, eles ganhavam moedas de ouro. Além disso, o jogo aumentava de complexidade proporcionalmente com as habilidades do jogador. Quanto mais eles acertavam as respostas, ganhavam mais moedas e por consequência o jogo era mais desafiador e mantinha aos jogadores motivados.
O estudo revelou que pessoas que participaram do grupo do jogo melhoraram em 40% seus resultados em testes de memória episódica e visual, em comparação aos participantes que só visitaram a clínica. Também, o jogo aumentou a autoconfiança e prazer dos participantes, motivando-os a continuar jogando, mesmo quando o estudo tinha concluído.
Os cientistas declaram existir evidências crescentes de que o treino cognitivo pode ser benéfico para aumentar a cognição e a saúde cerebral, mas precisa ser baseado em pesquisas sólidas e desenvolvidas de acordo às necessidades e perfil cognitivo do paciente, pelo que esperam estender essas descobertas em futuros estudos de doença de Alzheimer leve e envelhecimento cognitivo saudável.

Por Dra. Jacqueline Abrisqueta-Gomez (Julho 2017)